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Defender os EUA é lhe dar a possibilidade de matar qualquer um que ele imagina ser terrorista inclusive você


O pior inimigo é aquele que não ameaça, 
tornando-o imprevisível.

Algumas pessoas já me perguntaram os motivos que me levaram a escrever o texto com relação à morte de Osama Bin Laden. Eu venho aqui para dizer que não defendi em momento algum o Osama Bin Laden, mas fiz uma comparação do mesmo com o Obama e, aqui posso compará-lo a qualquer outro presidente norte-americano que se julga no direito de condenar, matar e fazer o que bem entende, quando lhe dá na telha, por uma democracia e liberdade que não sai do papel. Essa comparação visa o entendimento que se Osama fez atos que podemos considerar terroristas por motivos diversos e um deles pode ser explicado de acordo com conteúdos econômicos, além dos sociais e culturais, assim como da relação com o poder, então devo ressaltar que os EUA também faz atos terrorista. Os dois desejavam poder e vale ressaltar que os Estados Unidos deu poder a Osama e depois retirou de suas mãos.

Desde de a Antiguidade que nós, Ocidentais inventamos a idéia de Orientalidade, e esta nos traz a idéia que existe seres humanos inferiores e ruins e estão na Ásia e África, e seres superiores considerados racionais e bonzinhos que estão na América (sobretudo no Norte), Europa, Austrália, Nova Zelândia e recentemente, o Japão. O que temos que entender é que essa idéia, errônea por sinal, não dá o direito dos EUA invadir uma região qualquer do globo e nem tampouco destrinchar uma guerra, somente porque achou que existia tal fato e isso se deu nos últimos cem anos. 

Vale lembrar que foi os Estados Unidos quem ajudou Bin Laden na luta contra a URSS na Guerra Fria. Ele criou o monstro, por querer poder e petróleo e a mídia mundial, controlada por suas empresas e políticos só divulgam o que é de seu interesse, com raras exceções. Se analisarmos criticamente, não há razão para Osama e outros serem rotulados com o conceito terrorista, pois se esse for o caso, nossa mídia também será, pois nesse momento espalha o medo ao invés de explicar os motivos, alarga o fosso entre culturas ditas por nós como "Ocidentais" e "Orientais", principalmente entre Muçulmanos e Cristãos; Sendo assim também posso chamar os EUA de terroristas pois devolve na mesma moeda atitudes consideradas como tal e os direitos humanos que tanto pregam vão por água abaixo. Para que essa idéia fique mais lúcida, resolvi colocar uma entrevista do UOL com a historiadora Maria Aparecida Aquino para que vocês entendam os motivos que me levam a crer que não devemos comemorar ou fazer enxame. Deixa acontecer, pois não há bonzinho nesta história. Tudo é uma questão de interesses.

Acompanhe a íntegra da entrevista.

Os americanos reagiram à notícia da morte de Bin Laden com festa e era possível ver cenas de comemoração e euforia nas ruas. Existe razão para comemorar? Essa euforia é justificável?

Maria Aparecida Aquino: Não. Se a gente admitir que existe razão para comemorações neste momento, então estaríamos admitindo que existe razão para comemorar um assassinato. Uma coisa que normalmente não se comenta é que os Estados Unidos gostam de jogar na cara de todos os outros países que eles são os guardiões da democracia do mundo, e sempre interferem em outros países para assegurar a democracia.

Entretanto, o que eles fizeram nesse caso é simplesmente um assassinato. Se houve um crime e você está atrás de uma pessoa que é teoricamente uma das responsáveis por esse crime, você tem o direito de pegar essa pessoa e submetê-la a um julgamento. Mas o que aconteceu foi simplesmente um assassinato.

O que podemos observar é que toda a euforia inicial nos Estados Unidos já baixou um pouco, porque eles têm um temor muito grande – e devem mesmo; pensar que a Al Qaeda se restringe a um homem só, Osama Bin Laden, é uma tolice. A Al Qaeda é uma imensa organização. E é muito possível que haja retaliações. Então, em circunstância alguma teríamos motivos para comemorar, mesmo pertencendo à população americana, mesmo sendo o presidente dos Estados Unidos.

Se pessoas como nós, pessoas comuns, simplesmente coadunássemos com a ideia de comemoração, estaríamos coadunando contra todos os princípios que os próprios Estados Unidos dizem defender com tanta força.

Então é possível imaginar que os Estados Unidos poderiam ter feito uma captura sem recorrer a assassinato?

Aquino: Lógico. Eles tinham noção da localização. Planejaram a ação muito cuidadosamente. Chegaram até a casa e uma vez lá não havia condições de reação. Eles simplesmente metralharam quem estava pela frente.

Com relação ao corpo, como a senhora interpreta essa decisão dos Estados Unidos de jogá-lo ao mar?

Aquino: A notícia de que eles teriam jogado o corpo ao mar é mais grave ainda, porque você não só submete o inimigo a um assassinato, como você também impede o ritual da morte.

Mesmo que não haja uma retaliação imediata, em breve essa ficha acaba caindo, mesmo entre a população, de que nem mesmo o direito à morte foi dado. Um dos maiores pilares da democracia é o habeas corpus, que em uma tradução muito simples do latim quer dizer: que se tenha direito ao corpo. Então foi negado um elemento característico do estado de Direito.

Os americanos têm direito de estar muito zangados com o que aconteceu no 11 de setembro? Sim. Têm direito de investigar quem seriam os responsáveis? Sim. Mas a forma como se faz isso pode acabar por retirar todos os direitos que nos restam.

É possível imaginar que os Estados Unidos enxerguem a morte de Bin Laden como a morte do “mal”?

Aquino: É o que eles defendem. No fundo, eles pretendem impor ao mundo inteiro uma ideia: de que estão cobertos de razão, de que a humanidade pode respirar aliviada e de que agora estamos livres do mal, já que o mal estava condensado em uma pessoa. Mas isso é uma ilusão de ótica. É como os mágicos fazem: você olha para o outro lado, não presta atenção na prestidigitação que ele está fazendo com as mãos. Não podemos cair nesta história.

Isso não significa defender o que aconteceu em 11 de setembro de 2001, que foi um ato terrível e ofendeu a humanidade. Não significa negar o direito da população americana de buscar os culpados. Mas defender a forma como isso foi feito será dar aos Estados Unidos a possibilidade de amanhã entrar em qualquer uma de nossas casas e dizer: ‘olha, imaginei que aqui houvesse um terrorista e andei metralhando’. É muito grave o que aconteceu. Ou seja, não há motivo para comemoração.

Com informações do UOL Notícias

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