Pular para o conteúdo principal

A biografia de Gerhard Meyer Suerdieck

Dívida deve ser paga e essa é uma delas, apesar da demora. Como havia dito que iria escrever um pouco sobre o aniversário do Colégio Estadual Gerhard Meyer Suerdieck, estou fazendo o mesmo e espero que gostem. Como sei que a maioria dos meus leitores gostam da cultura e, sobretudo, da história desse município. Resolvi falar um pouco da história desse homem, que no seu tempo, era considerado um grande amigo de Maragogipe. Alemão, naturalizado brasileiro por desejo e vontade.

"Em 1923, Heinrich Suerdieck morreu de pneumonia, na Suíça, aos 47 anos, quando passeava de férias. Suportou os rigores tropicais, mas sucumbiu ao seu próprio inverno. Para o lugar dele, August convidou o cunhado Gerhard Meyer, então com 36 anos. Uma vez no recôncavo, Gerhard não resistiu ao côncavo e ao convexo das mulheres da região. Afinal, costumava-se dizer, na época, que Maragogipe tinha sete mulheres para cada honrem. Que o fumo tinha propriedades afrodisíacas, é algo controverso, mas a verdade foi que, lidando com o produto, Gerhard teve dois filhos com uma maragogipana e um terceiro com outra, até se casar com uma operária de sua fábrica, Tibúrcia Pereira Guedes. Com Tibúrcia teve mais quatro filhos, dentre eles Geraldo Meyer Suerdieck, o homem que viria a comandar a empresa por 27 anos, em sua melhor fase." (César, Correio da Bahia - via texto de Elisabete Silva)

Nascido no dia 4 de dezembro, Gerhard Meyer Suerdieck gostava de passar seus finais de ano, na Alemanha, com seus familiares. Em seu retorno a Maragogipe sempre trazia as novidades correntes na Europa e foi com esse espírito incorporador de novidades que o mesmo criava as devidas possibilidades para o crescimento de sua empresa, a então fábrica de charutos "Suerdieck & Cia".

Somente para se ter uma idéia de suas possibilidades de crescimento e de ganhos, foi ele que no dia 02 de agosto de 1931, logo no início do Governo de Anísio Malaquias, inaugurou a "Companhia Maragogipana de Eletricidade S.A." que instalaria, em anos subsequentes, os serviços de iluminação pública e privada, assim como também de força motriz para fins industriais. (Redenção - 01/08/1931). Fernanda Reis discutirá essa questão em sua tese de mestrado na UFBa, em seu tratamento do Culto da Festa de São Bartolomeu de Maragogipe.

Vale ressaltar que Gerhard Meyer Suerdieck herda o foro de chefe da fábrica, que contará com prédios em funcionamento em Maragogipe, São Félix, Cachoeira e Cruz das Almas, em 1923, depois da morte de Ferdinand Suerdieck. Aliás, a "Suerdieck & Cia" é o resultado da fusão em 1914, das firmas de Ferdinand Suerdieck e Augusto Suerdieck, o primeiro com prédio em frente à Terpsícore Popular e o segundo com prédio na rua do Fogo.

Segundo Elisabete Silva, "em 1930, o sócio-chefe August Suerdieck faleceu na Alemanha, assumindo a direção da firma a sua viúva , D. Hermine Suerdieck que também faleceu no ano seguinte. Formando, então uma nova organização o sócio Gerhard Meyer Suerdieck, já naturalizado brasileiro, sua esposa Sr.ª D. Tibúrcia Guedes Meyer Suerdieck e o Sr. Karl Horn, antigo colaborador, este, mais tarde foi afastado por suspeita nazista e a Suerdieck , então, nacionalizada."

Em 1938, com a expansão do negócios, a sede da Suerdieck foi transferida de Maragogipe para Salvador e Gerhard Meyer Suerdieck passa a figurar como único chefe. Em 1946 a Suerdieck passa a ser chamada somente de Suerdieck S/A (Sociedade Anônima). Em 1950, com sua morte. D. Tibúrcia Pereira Guedes assume o cargo de diretora-presidente das fábricas.

Durante sua vida, Gerhard Meyer Suerdieck sempre esteve em ativa troca com a comunidade. Na sua administração a Fábrica Suerdieck esteve em seu auge e foi com essa grande quantidade recursos que ele comprou diversos terrenos na cidade de Maragogipe.

Comentários

Top 5 da Semana

História da Suerdieck em Maragogipe de 1892 a 1913

Pisou a terra baiana, no ano de 1888, o fundador da organização o Sr. August Suerdieck, como empregado da firma alemã F. H. Ottens, que o enviara a Cruz das Almas a fim de fiscalizar o enfardamento de fumo. Quatro anos depois, em 1892, relacionado com a firma Joh. Achelis & Soehne, de Bremen, iniciou o Sr. August Suerdieck as suas atividades por conta própria, como enfardador e comprador de fumo, na localidade de Cruz das Almas. Em 1894, o Sr. August Suerdieck adquiriu da própria firma F. H. Ottens o seu primeiro armazém e ainda ao mesmo ano uma casa ao Tenente Frederico Tedgue Ottens, à Rua ottens. Em 1899, com sua firma já registrada sob a razão social de A. Suerdieck, o Sr. August Suerdieck ampliou seus negócios até Maragojipe, onde edificou seu primeiro prédio, o Armazém situado à Praça Sebastião Pinho (também denominada Caijá). Ainda no mesmo ano chegava à Bahia Ferdinand Suerdieck, irmão do Sr. August Suerdieck, a fim de auxiliar este no sempre crescente desenvolvimento da ex...

As próximas eleições... “de cabresto”

Charge de Storni para a revista Careta - 1927 Ella – É o Zé Besta? Elle – Não, é o Zé Burro! Na charge de Storni para a revista Careta (1927), uma das mais famosas fraudes eleitorais da Primeira República, o voto de cabresto, recebe a devida crítica. O eleitor recebia um papel com o nome do candidato escolhido pelo coronel da região, e apenas o depositava na urna. Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional

ESPECIAL: Independência da Bahia, o 2 de Julho

ESPECIAL do A TARDE recria jornal de um ano depois da data histórica. 2 de Julho - Revolta nas ruas da cidade Um caboclo sobre uma carroça, armado com lança, representando o bravo lutador da guerra, seguido dos ex-combatentes e do povo, abrirá alas ao longo do mesmo percurso do ano passado, quando entraram pela Estrada das Boiadas, passando pela Lapinha, Pelourinho, até o Terreiro de Jesus. Este ano, porém, o que deveria ser motivo de comemoração será manifesto de insatisfação. Quem assistiu à entrada do Exército de Libertação há exato um ano viu um bando de soldados maltrapilhos e famintos — muitos, inclusive, em más condições de saúde —, eufóricos pela liberdade, depois de tanta labuta e derramamento de sangue. Mas, agora, o cortejo é uma forma de reivindicar aquilo que acreditam lhes ser de direito. Refazendo o trajeto da “vitória”, querem “gritar” que, na verdade, para eles, nada mudou. Há rumores, também, de que o movimento não deve parar por aí. Os mais radicais pretendem finali...

Um pouco da História da Filarmônica "Dois de Julho"

Por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa Professor de História - Formado pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Data de Publicação: 07 de setembro de 2010 Uma das principais filarmônicas da cidade, a “Filarmônica Dois de Julho” é fruto do desejo de músicos instrumentistas das antigas filarmônicas e recreativas que existiam nesta cidade, antes da sua fundação em 7 de setembro de 1886. A “Mnemósine” foi a primeira filarmônica existente no município, mas não durou muito, extinguindo-se em menos de uma década. Desta surgiram três instituições: Como os seus músicos eram dignos de assim serem chamados, fundaram a “Filarmônica Terpsícore Popular”, a “Sociedade Musical Euterpe” e em 1886, a “Recreativa 2 de Julho”, esta última somente com o propósito de ensinar danças à juventude. Todavia, os associados da “Sociedade Musical Euterpe” entraram em divergências por motivos não encontrados nos documentos, dissolvendo-se, muito mais rápido do que a sua entidade materna, a ...

O Terreiro Ilê Axé Alabaxé,– “"A Casa que Põe e Dispõe de Tudo"

É com muito pesar que noticiamos o falecimento do Babalorixá Edinho de Oxóssi, será muito justo neste momento, republicarmos a história do Terreiro lIê Axé Alabaxé,– “"A Casa que Põe e Dispõe de Tudo", um local com que o nosso babalorixá tem suas intimidades reveladas. Sabendo que seria do agrado de muitos maragogipanos que desejam conhecer a nossa história, resolvi publicar esse texto e uma entrevista concedida pelo Babalorixá Edinho de Oxóssi encontrada no site ( http://alabaxe.xpg.uol.com.br/ ) Oxóssi O Terreiro lIê Axé Alabaxé,– “"A Casa que Põe e Dispõe de Tudo"   A cada ano, após a colheita, o rei de Ijexá saudava a abundancia de alimentos com uma festa, oferecendo à população inhame, milho e côco. O rei comemorava com sua família e seus súditos só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada. O rei mandou chamar os...