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O Brasão Oficial do Município de Maragojipe e erros históricos

por Zevaldo Sousa

Foi com a lei municipal nº 006/1973 de 27 de janeiro que foi criado e instituído o Brasão Oficial do Município de Maragojipe, vale ressaltar que é com grafema "J". O Brasão, tem um escudo azul que contém seis estrelas referindo-se aos distritos do Município: (Coqueiros, Nagé, Guapira, Guaí, São Roque e Maragogipe).

No campo vermelho, ao lado da faixa branca que significa o rio Quelembe, existe a figura de um índio com um flecha, indicando a formação nativa na formação do município e, do lado direito, a Igreja de São Bartolomeu, Patrono e Padroeiro de Maragojipe.

Centralizado, na área esverdeada, uma palmeira a simbolizar o título que o povo outorgou, Cidade das Palmeiras, seguindo da legenda "Cidade Patriótica" título conferido pelo imperador ao Bravo Povo Maragogipano pela participação heróica nas lutas da Independência e Guerra do Paraguai.

Há dois ramos, um do lado esquerdo, representando o café e outro do lado direito representando o fumo, segundo a lei, eles representam a economia da região na época do império. Existe também a coroa imperial de prata com quatro torres de município.

Por fim, um listral vermelho em letras brancas escrito "MARAGOJIPE" e em letras pretas "8 de maio de 1850", que segundo a lei refere-se a emancipação política do município.

DO BLOG: Contudo, vale ressaltar que erros históricos são pontuados e expressados neste Brasão. Por um simples motivo, na escola em que esses vereadores aprenderam prevalecia a História Positivista em que detalhes nacionais merecem mais destaque que os regionais, grandes fatos, grandes políticos e num último caso a ideia da mestiçagem. Sendo assim, posso lhe afirmar que:

Como citei em postagem anterior, o nosso título é o de Patriótica Cidade, e não o contrário como está no Brasão e o 8 de maio de 1850 refere-se somente a elevação de Maragogipe à categoria de cidade, visto que sua emancipação se deu em 9 de fevereiro de 1725. Naquele tempo o presidente da Câmara também executava as leis e tanto o IBGE, quanto o IPAC pode comprovar isso. 

Há também a ideia de que o Café e o Fumo engrandeceram à economia de Maragogipe. Segundo estudos feitos por diversos historiadores, Maragogipe não passou de uma região em que se produziu alimentos de primeira necessidade e a mandioca sempre foi o seu potencial. Tanto o Café, quanto o Fumo, como também a Cana que apesar não ter sido citada no brasão é lembrada em livros que trazem a ideia de diversos engenhos na região não passaram de segundo plano na economia Maragogipana na época da Colônia e do Império, visto que houve diversas leis que protegiam os plantadores dessas variedades nas outras vilas. Cachoeira com o fumo, Santo Amaro com a cana e o café na Bahia não conseguiu prosperar. Mas em Maragogipe, houve um safra vencedora de um concurso na Itália que fez com que existisse até hoje, tal variedade que herda nosso nome, mas não é mas plantado aqui.

Quanto às questões de "raça" e religiosa, prefiro não me atrever a escrever, visto que muito deve ser discutido ainda sobre o tema. Todavia, é importante ressaltar que foi no Governo de Cid Seixas Fraga que tal Brasão foi constituído, assim como a Bandeira e a troca do nome de Maragogipe com o grafema "G" por Maragojipe com o grafema "J", tudo por picuinhas políticas da época em que Comunistas não se bicavam com membros do PSD (Partido Social Democrata) e Integralistas desde o início do século XX.

Foi nesse período em que debates acerca da história começaram e quando um comunista, estudioso e conhecedor da história de Maragogipe estava no poder, junto com Cid Seixas recebeu essa incrível missão e no meu entender, pecou ao fazer seu amor literário, suplantar à história real do município, como uma forma de construir, desconstruindo o que foi construído a diversos séculos de história.

Publicado em 10 de julho de 2011, por Zevaldo Sousa

Comentários

  1. Olá Professor, gostaria de saber se o município tem bandeira, e se sim poderia compartilhar comigo?

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