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Museu do Farol da Barra resgata história da Bahia e ciência naval

por Maria José Quadros (maria.quadros@redebahia.com.br)



Nem só da exploração e prospecção da plataforma continental brasileira, incluindo a promissora camada do Pré-Sal, vive a Petrobras. Há dez anos, a companhia contribui para resgatar a tradição marítima nacional e sua importância na história do país, através do patrocínio ao Forte de Santo Antônio da Barra, mais conhecido como Farol da Barra, um dos pontos turísticos mais visitados de Salvador.

Ao apoiar o monumento, a Petrobras visa preservar e divulgar a velha fortaleza – a primeira construída no país, 34 anos após o descobrimento – e o Museu Náutico da Bahia, ali instalado, cujo acervo proporciona uma verdadeira viagem na história, arqueologia marítima e ciência naval. Daí porque as atividades educativo-culturais, em complemento ao ensino formal de escolares, são o ponto alto de sua programação.


Educação
O comandante Reubem Bello Costa, responsável pela administração do museu, diz que no ano passado 11 mil estudantes, a maior parte de escolas públicas, visitaram o museu, graças ao Projeto Museu Escola. A procura vinha crescendo, mas este ano deve registrar alguma queda, por conta da greve de professores que paralisou as escolas estaduais por 115 dias.

Seja como for, o museu é visitado por estudantes do interior e até de outros estados. É o caso, por exemplo, de um grupo do Instituto de Tecnologia de Fortaleza, que, embora não se dedique a carreiras ligadas ao mar, considera o Museu Náutico da Bahia tão importante que anualmente viaja a Salvador para uma nova visita.

As atividades incluem a realização do Salão de Artes da Bahia, que este ano será aberto no próximo dia 12, com duas exposições. Uma delas é de pinturas de novos artistas locais; a outra, de fotografias. Ao todo, são 60 trabalhos, tendo o mar como tema, que são selecionados pela Marinha, com o apoio da Escola de Belas Artes da Ufba.


Defesa
O Forte de Santo Antonio da Barra recebeu este nome em homenagem ao primeiro padroeiro de Salvador e até hoje o homenageia no mês de junho, com a instalação de um altar na sala de exposições temporárias do museu. Originalmente, não passava de uma trincheira de terra socada e taipa, construída na chamada ‘esquina do mar’, na entrada da Baía de Todos os Santos.

Em 1624 foi tomado pelos holandeses, que iniciaram ali a invasão da cidade. Quando os invasores foram expulsos, no ano seguinte, o governo português tratou de reforçar as defesas da cidade, que já contava com o Forte do Mar, de Santo Alberto, de Nossa Senhora do Mont Serrat e de Itapagipe, com mais uma série de fortalezas - Santa Maria, São Diogo, Santo Antonio Além do Carmo, São Pedro, Barbalho e outros – que ‘fechavam’ a entrada da baía, cruzando fogo contra invasores.

No final do século XVI, o Forte de Santo Antônio da Barra foi reedificado em pedra e cal e equipado com três canhões. Também ganhou o primeiro farol da América, que funciona até hoje: na era do GPS, emite lampejos a cerca de 70 quilômetros, orientando, sobretudo, embarcações menores, com poucos recursos tecnológicos. Seu desenho atual, em forma de estrela, é do final do século XVII.

Exposição
No acervo do Museu Náutico da Bahia, um dos maiores destaques é a coleção de peças oriundas da primeira pesquisa e resgate oficial de arqueologia submarina realizado no país, promovido na década de 70 no sítio arqueológico do Galeão Sacramento, que naufragou na Baía de Todos os Santos em 1668. São utensílios domésticos de louça portuguesa, moedas, armamentos.

Há ainda um farto acervo relacionado a hidrografia, sinalização náutica e navegação na Bahia do Século XVII e XVIII, bem como sobre a história da fortaleza e registros da vida administrativa e cultural de Salvador.

Projeto traz de volta áreas da Mata Atlântica
Em evento realizado hoje na Praia do Forte, a Fundação Garcia D´Ávila vai apresentar os resultados de dois anos de atividades do Projeto Floresta Sustentável, patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental.

Neste período, foram recuperados cerca de 90 hectares de florestas remanescentes da Mata Atlântica e realizadas atividades de conservação de mais 600 hectares na reserva de Sapiranga e no seu entorno, segundo a coordenadora administrativa do projeto, Thaise Costa Pinto.

Esses são alguns dos objetivos do Floresta Sustentável- restaurar áreas degradadas de Mata Atlântica e conservar a Reserva de Sapiranga, na Praia do Forte.

Outros objetivos que, disse ela, foram amplamente alcançados foi a promoção da educação ambiental, com cursos, oficinas e capacitação para 3.700 pessoas, e o fomento a atividades de geração de renda compatíveis com a conservação da floresta.

Fonte: Correio da Bahia

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