Pular para o conteúdo principal

Um pouco do Coronelismo em Maragogipe

Por: Zevaldo Sousa

Eul Soo Pang fala em seu texto “Coronelismo: Um Enfoque Oligárquico da Política Brasileira”, que o coronelismo vai desde a queda do Império até 1930 com a revolução de Vargas. Em Maragogipe, entre Políticos e Coronéis, encontramos uma população que ficou dividida no novo paradigma da economia maragogipana, ou ia para a cidade tentar a sorte nas grandes fábricas de charuto da Suerdieck e da Dannemann que estavam aparecendo naquele momento ou continuavam trabalhando na zona rural mantendo antigas relações de escravidão. 

O presidente Campos Salles fundou um sistema de troca de favores que, partindo do executivo federal, espalhou-se pelo pais inteiro. Essa política, de certa forma, é conhecida de "Política dos Governadores", implementada em 1902, lembra, na sua simplicidade, o toma lá, dá cá. O presidente da república exigia que os governadores lhes enviassem bancadas concordes com a sua política. Em troca, ele sustentava as propostas regionais dos governadores. Estes por sua volta articulavam-se com os coronéis do seu estado, fazendo com que também eles mandassem para a assembléia legislativa na capital do estado, deputados acertados com os interesses políticos do governador.

É importante ressaltar que a população maragogipana, desde o período imperial é tipicamente rural, fruto de antigos sistemas econômicos que colocavam Maragogipe como região produtora de produtos de primeira necessidade, tendo sua produção voltada para localidades com economia de exportação e/ou a capital baiana.

As novidades acarretadas pelo crescimento econômico e a vontade de libertação do antigo sistema, faz com que grande parte da população, principalmente negra, volte-se para a cidade e mude as relações existentes no sistema, marcando com isso, a vida na cidade maragogipana.

Um novo integrante, com forte poderio econômico, entrou em cena, os alemães. Sendo assim, Políticos e Coronéis já existentes usaram o seu poder político e o pouco poder econômico e social que tinham para controlar parte da produção do fumo, como também, parte da população. Assim como “usariam” a Política dos Governadores com objetivo de garantir a sua manutenção no poder com a troca de votos. Vale ressaltar que não existia eleições municipais, os Intendentes eram nomeados pelo governador, após indicação dos coronéis e políticos que faziam aliança com o governador vencedor, os derrotados eram “degolados” do sistema.

O Engenheiro Flaviano Amado de Souza (1891-1894) foi o primeiro intendente do município na República e era um dos grandes coronéis do Município, herdeiro do Padre Aniceto (religioso, político e dono de grandes áreas de cultivo, muito influente nos assuntos do Estado no período imperial, inclusive, pelo sua característica de manda-chuva), Flaviano herdou suas terras e um pouco do seu jeito político de agir.

Os anos da República Velha serão marcados por mudanças na estrutura física da cidade, é nesse momento que duas cidades estarão englobadas em uma. Uma feita com tijolos e outra de taipa, fruto do processo de êxodo rural instaurado no período. Apesar de certa perda na dominação econômica do município, os coronéis entenderam que necessitavam mudar seus interesses com objetivo de manter-se no poder.

O último dos intendentes foi Getúlio de Góis Tourinho (1930) e coincidências a parte, o fato é que, o seu famoso xará, Getúlio Vargas tomará o poder em trinta e a partir daí, uma nova fase é instaurada no Brasil e em Maragogipe. O cargo de intendente é abolido e no seu lugar é instaurado o cargo de Interventor, sendo o primeiro Anísio Malaquias (1930-1935). Vale ressaltar que o interventor também é nomeado através de indicação, ocorrendo uma eleição municipal, em que poucos eram os participantes e sua maioria era composta por integrantes do PSD, partido juracisista que apoia o Governo Vargas na Bahia e quem faz a indicação dos interventores.

Vale ressaltar, que apesar de Anísio Malaquias ser considerado um coronel, assim como seus sucessores, não se pode usar o conceito de “Coronelismo”, pois o interesse agora é partidário.

Comentários

Top 5 da Semana

Fotos antigas de São Félix, no Recôncavo da Bahia

Desde as primeiras décadas de sua existência a fotografia já mostrava o seu imenso potencial de uso. A produção fotográfica de unidades avulsas, de álbuns ou de coletâneas impressas abrangia um espectro ilimitado de atividades, especialmente urbanas, e que davam a medida da capacidade da fotografia em documentar eventos de natureza social ou individual, em instrumentalizar as áreas científicas, carentes de meios de acesso a fenômenos fora do alcance direto dos sentidos, as áreas administrativas, ávidas por otimizar funções organizativas e coercitivas, ou ainda em possibilitar a reprodução e divulgação maciça de qualquer tipologia de objetos. (leia mais em Fotografia e História: ensaio bibliográfico ) Neste sentido, a disponibilização de imagens fotográficas para o público leitor deste blog, é uma máxima que nós desejamos, pois a imagem revela muitos segredos.  Para ver mais fotografias: VISITE NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK Enchente em São Félix - cedido por Fabrício Gentil Navio da...

Padres da Paróquia de São Bartolomeu de Maragogipe

A história de Maragogipe está ligada ao  culto de São Bartolomeu que data dos primórdios da sua vida, da época em que iniciava a sua formação, quando saía das trevas da vida selvagem para iniciar a sua marcha gloriosa na senda do progresso sob o signo o abençoado da Cruz Redentora. A devoção dos maragogipanos para com o Glorioso Apóstolo vem também dos seus primeiros dias, do tempo em que era ainda uma fazenda pertencente ao luso Bartolomeu Gato, e nela, encontramos o primeiro vigário da Paróquia de São Bartolomeu. A lista abaixo retrata um pouco desta história, as datas ao lado do nome é o ano de início de sua vida enquanto evangelizador. Todavia, em diversos nomes nós não encontramos a data específica, pois somente há deduções. Caso o leitor possa estar contribuindo com a mudança desta lista, pois ainda sim, acreditamos que esteja faltando alguns nomes, será muitíssimo interessante. Agradecemos antecipadamente. (Leia mais sobre " O Culto de São Bartolomeu ", escrito por Odi...

Uma Breve História de Maragojipe, por Osvaldo Sá

Obs.: Este blog é adepto da grafia Maragogipe com o grafema G, mas neste texto, preservamos o uso da escrita de Maragojipe com o grafema J defendida pelo autor. Uma Breve História de Maragojipe Por Osvaldo Sá A origem do município de Maragojipe, como a de tantos outros municípios do Recôncavo Baiano, remonta ao período do Brasil Colonial, durante o ciclo da cana-de-açúcar. Conta a tradição popular que a origem do município deveu-se à existência de uma tribo indígena denominada “Marag-gyp”, que se estabeleceu em meados do século XVI às margens do Rio Paraguaçu. Destemidos e inteligentes, mas adversos à vida nômade, esses indígenas dedicavam-se ao cultivo do solo, à pesca e a caça de subsistência, manejando com maestria o arco e flecha e também o tarayra (espécie de machado pesado feito de pau-ferro), com o qual eram capazes de decepar de um só golpe a cabeça do inimigo. Osvaldo Sá, 1952 - Aos 44 ano Segundo a tradição da tribo, os mais velhos contavam que suas pri...

Fotos antigas de Maragogipe, no Recôncavo da Bahia

Igreja Matriz de São Bartolomeu de Maragogipe Nesta sessão do Blog de História, buscaremos postar um pouco da História de Maragogipe em fotografias antigas do nosso município. O que se sabe até o presente momento é que parte destas fotografias foram fruto de um ensaio fotográfico de Major, com datação aproximada da década de 30 ou 40, do século XX. Como a instituição fez amostra dessas fotografias, aproveitamos e solicitamos como forma de difundir ainda mais essas fotografias que já se tornaram patrimônio do município de Maragogipe. A fotografia que utilizamos como capa desta postagem é a imagem da Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe, uma das mais belas igrejas do Recôncavo da Bahia, e uma das mais antigas. Aproveitem e usem-na com moderação. Sacristia da Igreja de São Bartolomeu de Maragogipe (Major) Altar de São Bartolomeu de Maragogipe, no centro da imagem temos o Cristo Crucificado. (Major) Praça Conselheiro Antonio Rebouças, no centro ainda tinha um pequeno coreto, ine...

A Pirâmide Invertida - historiografia africana feita por africanos (Carlos Lopes)

Neste momento, você terá a oportunidade de ler um pouco do fichamento do texto de Carlos Lopes "A Pirâmide Invertida - historiografia africana feita por africanos. Na introdução Carlos Lopes tenta traçar uma “ apresentação crítica dos argumentos avançados pelos três grandes momentos de interpretação histórica da África ” (LOPES; 1995). Para ele a historiografia deste continente tem sido “ dominada por uma interpretação simplista e reducionista ”, mas antes do autor começar a falar sobre estes momentos, ele demonstra um paralelo da historiografia africana com um momento “ em que os historiadores estão cada vez mais próximos do poder ”, e afirma que estes historiadores são todos de uma mesma escola historiográfica que proclama “ a necessidade de uma reivindicação identitária ”, citando como exemplos “ de uma interdependência entre a História e o domínio político ” “Inferioridade Africana” É através do paradigma de Hegel - o "fardo" do homem branco -, que o ocidente conhec...