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A música do milhão - Histórias curtas, curta as histórias


Por Francisco Gomes

Vários amigos tem me solicitado que eu aproveite o espaço que é gentilmente cedido por Zevaldo neste blog, para além das histórias selecionadas de grandes autores e anônimos que reproduzo para os leitores, que também contasse passagens da política maragojipana, que sempre lhes conto em momentos de descontração e que eles consideram interessantes e acham que deveria compartilhar com todos através da net, como sempre prefiro ficar com os conceitos e conselhos dos meus amigos, a partir de hoje estarei escrevendo algumas histórias da nossa política.

Para iniciar, vou contar a história da MÚSICA DO MILHÃO, sucesso nas Eleições para prefeito de 2000.

A MÚSICA DO MILHÃO

Nas Eleições de 2000, cinco candidatos concorriam a Prefeitura de Maragojipe: Arivaldo Vieira pelo PL, Digal pelo PT, Gabriel pelo PSC, Luizinho K-Lavar pelo PTB na época conhecido como a zebrinha e Rita Nunes pelo PDT. Apesar de estar concorrendo cinco candidatos, a disputa verdadeiramente se resumia a Gabriel e Arivaldo. O prefeito da época era Bartolomeu Teixeira e este não apresentou oficialmente um candidato. No mês de junho foram realizadas as convenções e as pesquisas só davam Arivaldo, o qual realizou na Terpsícore Popular uma grande festa com a presença de milhares de pessoas. Enquanto isso, a convenção do Gabriel foi realizada modestamente na Rádio Clube, embora o candidato tivesse a fama de ser o homem do milhão.

Durante a corrida para prefeitura o compositor Gilson Labaia fez um jingle para a campanha de Arivaldo, em que o refrão dizia o seguinte: “O MILHÃO NÃO, O MILHÃO NÃO, EU NÃO QUERO SEU DINHEIRO PRA FICAR NA SUA MÃO”, uma música bonitinha que logo caiu na boca do povo.

E aí? Arivaldo que estava bem nas pesquisas e com o povo cantando o jingle começava se desenhar a vitória do 22!

No mês de agosto, meu amigo Jota de Vital, que fazia parte da campanha de Gabriel, preparou uma festa muito bonita para alavancar a campanha. Realmente foi um belo evento, consequentemente, era o primeiro grande passo do 20 rumo a vitória, mas o jingle do milhão da campanha de Arivaldo não parava de tocar, e seus seguidores animados pelo embalo do som, não paravam de cantar e gesticular com os dedos pra lá e pra cá dizendo ao povo que o milhão não, estava montada a estratégia da campanha do 22.  Do tostão contra o milhão. Arivaldo, como o candidato filho da terra, era o tostão e Gabriel, o candidato forasteiro, era o milhão que queria comprar todo mundo. 

Na época eu era o vocalista da Banda Café Pilado, uma banda que vez sucesso no início dos anos 2000, e tocava todas as quintas no Pelourinho em Salvador. Numa dessas apresentações do Café, conheci uma professora de sociologia chamada Maria Clara, amiga da galera da banda e como eu gostava de música e política, conversamos muito e logo estávamos discutindo política, falei sobre as eleições de Maragojipe. Ela se colocou como defensora da candidatura do 22,  eu por outro lado, defendendo o 20, comecei a dizer que para se ter educação, saúde, estradas entre  outros benefícios era preciso de milhão e não de tostão.

Acabando a conversa todos fomos embora, quando cheguei em casa, comecei a passar na cabeça a fita do dia e quando cheguei na parte da conversa com Maria Clara,  vi que dali poderia nascer uma música, como resposta ao Milhão de Labaia. Não deu outra, bingo! Fiz o jingle que ficou conhecido como a resposta do milhão, foi um grande sucesso, os gabrielistas assumiram que para realizar era preciso do milhão, a campanha, que já vinha bem, deu um salto e o resultado da eleição não poderia ser diferente Gabriel 10.753 votos (55,24% os votos válidos), Arivaldo 7.748 (39.80%), Digal 606 votos (3.11%), Rita 284 votos (1.46%) e a zebrinha 74 votos (0.38%) .

Quem não se lembra desses versos: EMPRESAS PARA O POVO SÓ COM O MILHÃO, SAÚDE E EDUCAÇÃO SÓ COM O MILHÃO, ESTRADAS BEM CONSERVADAS E ELETRIFICAÇÃO TUDO ISSO SÓ COM O MILHÃO...

NÃO ADIANTA ESSA CONVERSA DE TOSTÃO PORQUE O POVO TÁ QUERENDO É SOLUÇÃO.

O engraçado veio depois na próxima edição tem mais história.

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