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Arte - Muito mais que imagem e produção cultural

Li essa semana dois textos de História da Arte que com suas indagações me fez pensar em muitas coisas que estão ocorrendo no mundo atual com todos as áreas do conhecimento, com todas as pessoas, com todas as coisas. Tudo por causa de um conceito recém-criado e que está deixando todos nós com a cabeça a mil. Sendo assim escrevi esse texto:

Globalização, conceito que penetra em todos os campos do conhecimento teórico e prático. Que põe em cheque (mas não mate) cada objeto de estudo e que os faz repensar com muito mais complexidade, os mínimos detalhes que compõe a sua existência.

É somente através da auto-reflexão que os mais variados campos do conhecimento poderão sobreviver a esse gigante que apareceu nas nossas vidas, não para destruir, mas para nos fazer melhores, através de um saber muito mais plural, muito mais global. Cabe somente a nós entendermos o que é necessário para não nos deixar levar pelos malefícios que este conceito também traz consigo.

A globalização não está acabando com os mais diversos campos do conhecimento (como muito tendem a dizer quando não gostam ou quando realmente desejam acabar com uma matéria), mas sobretudo está fazendo com que repensemos nossos conceitos, visitemos outros, possamos estar construindo e reconstruindo, além de podermos incorporar e reproduzir o que já foi produzido por outrem.

Culturas estão sendo mescladas, temos a oportunidade de conhecermos melhor o outro. Mas o papel principal é não deixar morrer o que já é nosso desde os tempos mais remotos. Isso vale para todos, em qualquer lugar deste globo.

A arte produzida em cada lugar tem algo de especial, tem seu contexto próprio, tem sua história. Cada grupo cultural pode hoje: analisar, interpretar, conhecer a cultura alheia. Mas, deve sobretudo estar pensando sobre a sua identidade cultural.

Ao ler o texto do Prof. José Alberto Gomes Machado., "A História da Arte na encruzilhada" (leia na íntegra - é um texto pequeno de 8 páginas - Muito interessante), pude perceber que a História da Arte está se repensando como matéria, justamente por causa dessa globalização. Um repensar que trará maturidade para esse campo do conhecimento e que resultará na sua autoafirmação enquanto matéria que produz conhecimento necessário a ponto de outras matérias estarem buscando nela o material necessário para sua produção.

A História da Arte está sendo, com isso, valorizada e dando contribuição para que outros repensem seu objeto cultural, enquanto identidade.

Contudo, temos que prestar bastante atenção no modo quando analisamos um objeto de arte (que para mim, não tem definição própria), mas para outros, principalmente para os céticos, a arte tem um objeto específico. Eu acredito que tudo é arte, inclusive as ações do meu filho. Esse, aliás é um artista nato. Mas, temos que ter um certo cuidado ao estarmos tratando da arte como um objeto de compreenssão, principalmente histórica e cultural. As imagens produzidas pelos nossos antepassados são de extrema importância para a compreenssão do passado, enquanto objeto histórico, sendo assim, não importa o tipo de arte produzida: Pinturas, fotografias, esculturas, gravuras, vídeos, etc. Todos são meios plausíveis de evidência histórica.

O tratar desses objetos é um fato interessante e de extrema importância e que muitas pessoas não levam a sério. No texto "Testemunha Ocular - História e Imagem" de Peter Burke, logo na sua introdução veremos que muitos não souberam ou não quiseram tratar a imagem como ela deveria ser tratada.

Aliás, saindo um pouco desse contexto, muitos professores hoje em dia não trata a imagem do jeito que ele merece ser tratada. Deixando-a em segundo plano ou não pensando-a do jeito que deve ser pensada, assim muitos jovens acabam recebendo aquelas imagens de forma errôneas, recebendo conceitos tratados de forma errada, levando com isso, uma interpretação equivocada.

A arte é aliada das matérias diversas, mas para que isso ocorra realmente, precisamos estar muito mais atentos, as suas significações, aos seus ideais, aos seus detalhes mais perfeitos.

Não existe arte feia, o que existe é um tremendo mal gosto de quem não sabe interpretá-la.

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