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Opinião: Festa de Agosto - Oh tempos bons!


Escrito por Zevaldo Sousa, no dia 19 de setembro de 2009

Há alguns anos atrás a festa de São Bartolomeu tinha seus requintes e a mistura ideal para uma terra tão famosa como hoje é Maragogipe. Lembro-me muito bem do parque o quão bom era participar daquelas brincadeiras que dantes eram tão modernas para nós maragogipanos, pois aqui não havia algo parecido, e se para mim que morava na cidade era tão impressionante, imagine qual seria a opinião das pessoas que moravam na zona rural?

A festa de Agosto era um momento muito esperado por todos, pelo seu fervor religioso, pelo seu teor cultural, pela mistura entre o que era moderno com o tradicional, era com certeza uma festa de largo maravilhosa, ou melhor, uma grande quermesse que com toda certeza foi a sua característica principal na sua origem.

Temos apenas poucos anos de mudanças estruturais desta maravilhosa festa e hoje estamos vendo uma festa de agosto, especialmente programada para turistas e essa característica, nunca foi tão marcante, tão visível. Sendo assim, vale nos pergunta: Se o Carnaval de Maragogipe, que um evento turistificado, é patrimônio imaterial do Estado pela conservação de sua cultura e tradição porque não preservar também a nossa cultura e tradição na festa de Agosto? Por que não reviver aqueles momentos que deixavam todos ter um sentimento maior de maragogipanidade? Por que não reviver os momentos gloriosos dos nossos sambas de roda? Das nossas rodas de capoeira? Do som mecânico que rolava o dia todo na praça? Do fervor religioso que levava muito mais pessoas a Igreja e com muito mais amor no coração? Daqueles tempos em que as pessoas vinham muito mais no sentido de devoção do que de turismo?

O que falta para nós resgatarmos esse momento?

Lembro-me muito bem de quando Amaral colocava aquele som mecânico na praça tocando lambada o dia todo, enquanto os adultos bebiam conversavam, reviam amigos e se divertiam observando as crianças que sorriam felizes e muito animadas no parque, sem contar os jovens que também faziam questão de ir ao parque. Naquele tempo o parque era atração, tinha roda gigante, bate-bate (autorama), xícara, lagarta, kamikase, a barca, casa do terror, monga, e outros mais. O coreto era o contraste perfeito para quem queria apreciar de longe aquelas filas enormes para entrar num brinquedo, principalmente, no dia da procissão, dia em que o pessoal da zona rural descia em peso para a cidade com objetivo de glorificar o santo maior, rever amigos e se divertir.

Naquele tempo sim, a festa de agosto era muito boa. Era o dia todo de festa, tinha baile na Associação Atlética Maragogipana, tinha som nos bares, a praça era voltada quase toda para o público infantil, eu corria a vontade pela praça e meus pais não tinham a preocupação que se tem hoje.

Naquele tempo sim, era bom demais.

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