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A História da História (a História de Clio)

Texto publicado em 30/05/2005 Por: Marília Daros No Site gramadosite.com “O tempo devora seus próprios filhos”.! Você já ouviu esta frase? Muitas foram as vezes em que parei para pensar nisto, pois me preocupou sempre o descuido que a maior parte das pessoas têm, com relação ao passado. O tempo se encarrega de apagar as marcas dos desenraizados. Daqueles que não procuram preservar os vestígios dos antepassados. Que não respeitam as trilhas do cotidiano ocorrido na sua comunidade, nas suas áreas de convívio. O tempo faz esquecer! Com o tempo a gente esquece! Até que ponto é válida esta afirmação? É um estímulo um agouro? Mas a resposta não está em mim, nem em você! Está no próprio tempo! Nada que um pouco de leitura não explique, claramente, sem rodeios, na trajetória dos povos. Viaje comigo para dentro de um livro: “Pequena Mitologia”, de Mario Guedes Nylor, editado em 1933. Mitologia é o uso da imaginação poética, para povoar a natureza física, o mundo espiritual, intelectual e moral...

Análise da História Econômica através de Fragoso

Em seu texto, “Para que serve a história econômica? Notas sobre a história da exclusão social no Brasil”, João Fragoso expõe a público que a sua avaliação sobre a história econômica nacional e internacional mudou um pouco. Ele dirá que “ na época, apresentamos (Fragoso e Florentino, 1997: 27-43) um balanço bastante cético sobre os destinos das pesquisas neste campo. ” (Fragoso, 2002: 1). Através de uma crítica avassaladora como ele mesmo diz, e em alguns casos injustamente, que foram feitas à “ história serial francesa, os modismos da historiografia brasileira e, com eles, a redução brutal do número de investigações econômicas feitas nas pós-graduações .” (Fragoso, 2002: 1). Realmente em seu primeiro texto feito em conjunto com Manolo Florentino eles estavam prevendo uma derrocada da história econômica, pelo simples fato da redução brutal do número de investigações econômicas. No entanto, eles buscaram fundamentar sua tese, através de variações percentuais, o que difere em muito das va...

História: análise do passado e projeto social de Josep Fontana

Segundo Josep Fontana, para entender a formação da “nova história econômica” é preciso acompanhar uma dupla linha evolutiva. De um lado temos o reencontro da história econômica e da teoria econômica e de outro temos a crise da história progressista norte-americana pós-segunda guerra mundial. A partir de então Josep Fontana vai traçar essa dupla linha que se seguiu até a chamada “novíssima história econômica”. Na sua primeira citação, Fontana irá referir-se a Simon Kuznets adepto da primeira linha, “ ele propunha a necessidade de voltar à análise do crescimento econômico, esquecido pelos economistas marginalistas, que se haviam limitado aos problemas que propõe a explicação de um equilíbrio estático .” (p. 187). No final da Segunda Guerra, surge Gunnar Myrdal, Celso Furtado e W.W. Rostow que levaram um novo casamento da história e teoria, por causa das suas preocupações com os problemas do crescimento econômico. O primeiro procurou estudar os problemas econômicos no contexto demográfico...

Fichamento: O Espaço Sagrado e a Sacralização do Mundo

INTRODUÇÃO Mircea Eliade O autor lembra-se de início de um livro que teve uma repercussão mundial, Das Heilige (1917), de Rudolf Otto, ele estudou as modalidades da experiência religiosa e, sobretudo o lado irracional, onde há uma idéia de “ poder terrível, manifestado pela cólera divina ” (p. 15), ele desvendar um sentimento do homem diante de um ser sagrado, um sentimento de nulidade, de pavor, de inferioridade diante do poder divino. Rudolf Otto “ designa todas essas experiências como numinosas porque elas são provocadas pela revelação de um aspecto do poder divino ” (p. 16). O Numinoso seria, portanto um estado religioso da alma inspirado pelas qualidades transcendentais da divindade, um ganz andere (Totalmente outro, a alteridade radical do ser humano), ele não se assemelha a nada humano, o homem tem, portanto um sentimento de ser apenas criatura. A proposta do autor será apresentar “ o fenômeno do sagrado em toda a sua complexidade, e não apenas na que ele comporta de irraciona...

Vida e Obra de Edil Pacheco

A INFÂNCIA Eu me chamo Edmilson de Jesus Pacheco. Nasci no dia 1º de junho do ano de 1945 na cidade de Maragogipe, última cidade do Recôncavo baiano. A minha infância foi normal como a de todo garoto de interior daquela época, jogando futebol, soltando pipas e outras traquinagens da idade. A música passou a entrar na minha vida a partir do que eu ouvia no rádio, especialmente Luís Gonzaga, Nelson Gonçalves, Luis Vieira, Jackson do Pandeiro e outros. Tinha também as informações do folclore da redondeza, como o bumba-meu-boi, o samba de roda, especialmente nas festas da padroeira de Maragogipe que tinha uma participação muito grande do povo nessas cantorias. Foi isso aí. A MÚSICA A música para mim, até então, era uma coisa espontânea, natural. Comecei a me interessar especialmente por tocar um instrumento, no caso, o violão, que eu não tinha condições de ter um. Certo dia chegou às minhas mãos, através de um companheiro chamado José Messias, apelidado Zé Coco, um velho violão que ele hav...

Biografia de André Rebouças

Por  Profª. Ms. Hileia Araujo de Castro André Rebouças André Rebouças descendeu do alfaiate português Gaspar Pereira Rebouças que, em fins do século XVIII, chegou a Salvador e casou-se com a negra Rita Basília dos Santos, provavelmente uma escrava alforriada. Dessa união nasceram nove filhos, dos quais tenho notícias dos quatro homens. José, o mais velho, obteve o título de mestre em Harmonia pelo Conservatório de música de Bolonha e, quando retornou da Europa, assumiu o posto de Maestro da Orquestra do Teatro de Salvador. Manuel tornou-se funcionário da administração da justiça em Salvador. Maurício trabalhou em cartórios e acumulou recursos para estudar em Paris, bacharelando-se em Artes e Ciências e doutorando-se em Medicina. Em 1832, tornou-se catedrático de Botânica e Zoologia na Escola de Medicina da Bahia1. Antônio, pai de André, não se dedicou ao estudo superior por opção e também pelo fato de não existir faculdade de Direito em Salvador. Transferiu sua residência para Cach...

Liberdade versus direito de propriedade na corte brasileira

Livro analisa pensamento político de Antônio Rebouças e revela suas contradições A trajetória do mulato Antônio Pereira Rebouças, advogado autodidata baiano que foi um dos maiores combatentes pela causa da independência do Brasil -- e um dos principais políticos do Império --, é o objeto de um livro recém-lançado. Fruto de uma tese acadêmica da historiadora Keila Grinberg, da Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio) e da Universidade Cândido Mendes (Ucam), O fiador dos brasileiros adota a figura de Rebouças como referência para discutir temas como cidadania, direito civil, liberdade, propriedade, raça e escravidão no Brasil do século 19. Nascido no Recôncavo Baiano em agosto de 1798, Antônio Pereira Rebouças -- filho de um português com uma escrava liberta -- vem ao mundo em um momento de conflito, no ano de eclosão da Revolta dos Alfaiates, na Bahia. Desde então, sua trajetória se estabeleceria sob o signo do conflito. Com a língua afiada e um pensamento 'avançado' para sua é...