Pular para o conteúdo principal

Pesquisa da UFRB encontra cartas de alforria em cartório de Santo Antônio de Jesus


Estudantes do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Ensino Médio (PIBIC EM 2015/2016) e estudantes de iniciação científica voluntários obtiveram sucesso na busca de cartas de alforria e documentos de posse de uma pessoa sobre a outra no cartório da cidade de Santo Antônio de Jesus na Bahia, 1ª Vara de Feitos de Relações de Consumo Cível e Comerciais. A equipe é coordenada pelo professor Júlio César dos Santos do Centro de Ciências da Saúde (CCS).

“Consideramos a carta de alforria como símbolo de libertação. A carta marca o êxito dos conflitos e negociações entre escravos e senhores. A posição do senhor ao libertar o escravo do seu domínio marca uma nova direção de vida para ambos. O documento em si é rico de detalhes psíquicos, linguísticos e situacionais da trajetória de vida entre senhor e afrodescentes/africanos”, declara o professor Júlio César.

Ele explica ainda que o interesse por cartas de alforria e declaração de posse de uma pessoa sobre a outra se desenvolveu na pesquisa de campo do seu doutorado, na localidade do Quilombo Alto do Morro, com o título "A produção de sentidos intergeracional do planejamento familiar". "Alguns participantes da pesquisa não se identificavam nas narrativas com a resistência negra nos quilombos. Mesmo assim, descobrimos em suas narrativas, marcas intergeracionais da trajetória de vida de comunidades quilombolas na sociedade escravocrata. Pesquisamos pessoas no quilombo e fora do quilombo. Decidimos analisar os participantes no Quilombo Alto do Morro, devido ao volume de experiências/informações. Após a defesa de tese, continuamos com as análises dos participantes fora do quilombo. Interessante observar que as famílias dos participantes negros fora do Quilombo também não narraram episódios diretamente da resistência negra à escravidão. Assim cresceu a curiosidade de entender o porquê na Bahia, com mais de 53% do total de afrodescendentes do Brasil, encontramos cidades com mais de 90% da população negra sem uma referência ao período escravocrata”, destaca o professor.

Dando continuidade à pesquisa, o professor coordena o projeto “análise dialógica temática microgenética em narrativas intergeracionais”. Estudantes, técnicos e outros pesquisadores que queiram se integrar a pesquisa e ter acesso a mais informações, entrar em contato com pesquisador pelo email: juliocesar@ufrb.edu.br".

Assessoria de Comunicação
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Comentários

Top 5 da Semana

Fotos antigas de São Félix, no Recôncavo da Bahia

Desde as primeiras décadas de sua existência a fotografia já mostrava o seu imenso potencial de uso. A produção fotográfica de unidades avulsas, de álbuns ou de coletâneas impressas abrangia um espectro ilimitado de atividades, especialmente urbanas, e que davam a medida da capacidade da fotografia em documentar eventos de natureza social ou individual, em instrumentalizar as áreas científicas, carentes de meios de acesso a fenômenos fora do alcance direto dos sentidos, as áreas administrativas, ávidas por otimizar funções organizativas e coercitivas, ou ainda em possibilitar a reprodução e divulgação maciça de qualquer tipologia de objetos. (leia mais em Fotografia e História: ensaio bibliográfico ) Neste sentido, a disponibilização de imagens fotográficas para o público leitor deste blog, é uma máxima que nós desejamos, pois a imagem revela muitos segredos.  Para ver mais fotografias: VISITE NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK Enchente em São Félix - cedido por Fabrício Gentil Navio da...

O Terreiro Ilê Axé Alabaxé,– “"A Casa que Põe e Dispõe de Tudo"

É com muito pesar que noticiamos o falecimento do Babalorixá Edinho de Oxóssi, será muito justo neste momento, republicarmos a história do Terreiro lIê Axé Alabaxé,– “"A Casa que Põe e Dispõe de Tudo", um local com que o nosso babalorixá tem suas intimidades reveladas. Sabendo que seria do agrado de muitos maragogipanos que desejam conhecer a nossa história, resolvi publicar esse texto e uma entrevista concedida pelo Babalorixá Edinho de Oxóssi encontrada no site ( http://alabaxe.xpg.uol.com.br/ ) Oxóssi O Terreiro lIê Axé Alabaxé,– “"A Casa que Põe e Dispõe de Tudo"   A cada ano, após a colheita, o rei de Ijexá saudava a abundancia de alimentos com uma festa, oferecendo à população inhame, milho e côco. O rei comemorava com sua família e seus súditos só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração enviaram à festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada. O rei mandou chamar os...

Exercícios de História Antiga: Roma (Ensino Médio)

Sabendo que grande parte dos professores e estudantes buscam pelas soluções dos seus problemas na Internet, resolvi postar neste espaço alguns exercícios retirados de provas de vestibulares. Vale ressaltar que será muito mais importante, o professor modificar os exercícios de acordo com o que foi ensinado na sala de aula. Afinal de contas, cabe ao professor ter o conhecimento da realidade da turma que leciona. Veja também: Exercícios de História Antiga: Grécia (Ensino Médio) Exercícios de História Moderna: Grandes Navegações (Ensino Médio) Exercícios de História da América Portuguesa e Espanhola (Ensino Médio) Questões DE ENEM e Vestibular 01. (UFAM – 2009) Tal como a história dos gregos, também a dos romanos começou pelo desenvolvimento de instituições políticas assentadas na cidade e elaboradas em benefício de uma comunidade de homens livres – os cidadãos – proprietários de terras e que reivindicavam a descendência direta dos fundadores de sua pátria. Em ambos os casos, estes cida...

Um pouco da História da Filarmônica "Dois de Julho"

Por Zevaldo Luiz Rodrigues de Sousa Professor de História - Formado pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Data de Publicação: 07 de setembro de 2010 Uma das principais filarmônicas da cidade, a “Filarmônica Dois de Julho” é fruto do desejo de músicos instrumentistas das antigas filarmônicas e recreativas que existiam nesta cidade, antes da sua fundação em 7 de setembro de 1886. A “Mnemósine” foi a primeira filarmônica existente no município, mas não durou muito, extinguindo-se em menos de uma década. Desta surgiram três instituições: Como os seus músicos eram dignos de assim serem chamados, fundaram a “Filarmônica Terpsícore Popular”, a “Sociedade Musical Euterpe” e em 1886, a “Recreativa 2 de Julho”, esta última somente com o propósito de ensinar danças à juventude. Todavia, os associados da “Sociedade Musical Euterpe” entraram em divergências por motivos não encontrados nos documentos, dissolvendo-se, muito mais rápido do que a sua entidade materna, a ...

História da Suerdieck em Maragogipe de 1892 a 1913

Pisou a terra baiana, no ano de 1888, o fundador da organização o Sr. August Suerdieck, como empregado da firma alemã F. H. Ottens, que o enviara a Cruz das Almas a fim de fiscalizar o enfardamento de fumo. Quatro anos depois, em 1892, relacionado com a firma Joh. Achelis & Soehne, de Bremen, iniciou o Sr. August Suerdieck as suas atividades por conta própria, como enfardador e comprador de fumo, na localidade de Cruz das Almas. Em 1894, o Sr. August Suerdieck adquiriu da própria firma F. H. Ottens o seu primeiro armazém e ainda ao mesmo ano uma casa ao Tenente Frederico Tedgue Ottens, à Rua ottens. Em 1899, com sua firma já registrada sob a razão social de A. Suerdieck, o Sr. August Suerdieck ampliou seus negócios até Maragojipe, onde edificou seu primeiro prédio, o Armazém situado à Praça Sebastião Pinho (também denominada Caijá). Ainda no mesmo ano chegava à Bahia Ferdinand Suerdieck, irmão do Sr. August Suerdieck, a fim de auxiliar este no sempre crescente desenvolvimento da ex...