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O Autor e a Palavra - Uma homenagem a Osvaldo Sá

Osvaldo Sá
Este texto foi publicado no dia 04/08/2008 e hoje resolvi trazer ele a tona. Espero que gostem.

Hoje a noite, ocorreu o tão esperado momento em que a população maragogipana homenageou seu grande e ilustre contemporâneo poeta e escritor - e para mim historiador -, Osvaldo Sá. Cada qual a seu jeito, ou falando, chorando, declamando poesias ou apenas presente naquele momento - ou para não deixar àqueles que não puderam vir de lado -, seja lá o motivo diversificado qualquer, um puro sentimento de presença e/ou de comoção, pois este personagem a qual me refiro, não foi qualquer um na nossa comunidade, na nossa sociedade, cultura e história.

Ele foi e pra sempre será Osvaldo Sá, único, exemplar, digno, correto, estudioso, vitorioso. E se depender de mim será lembrado e relembrado no máximo possível que as gerações me permitirem, nos permitirem, fazer história.

Por que, ninguém sabe o futuro e a mim tende apenas escrever, ler e interpretar. Coisas tão simples que qualquer um pode fazer. Basta querer. Coisas que esse grande e eloqüente homem fez e nos transmitiu através de palavras faladas e/ou escritas.

Faladas que estão nas mentes daqueles que o conheceram e puderam estar junto com ele nos momentos de grandeza, alegria e tristeza, de sabedoria e compaixão, marcando sentimentos, mostrando feridas, vivenciando o prazer da mais pura arte que a vida nos traz, a interação.

Escritas quando deixadas para aqueles que sabem o que querem, o que sentem pela sua terra, ou apenas curiosidade, pelo seu jeito de pensar, agir, mas, sobretudo fazer brotar sentimentos. Por isso os escritos de Osvaldo Sá fizeram com que os mesmos possam estar descobrindo, desvendando, afagando, ou melhor, vivenciando aqueles momentos não vividos, mas preescritos por aqueles que um dia resolveram deixar sua marca num papel, deixar seu sentimento, destreza, proeza, loucura, rebeldia, amor, paixão, prazer, numa simples folha de papel, manchada pela simples tinta de caneta e/ou grafite de um lápis.

Palavras, apenas palavras. Estas são as contribuições mais importantes desse grande homem. Palavras, aliás essa é a contribuição mais importante que nós nos damos e vos damos. Só é vermos o papel do professor, ele te dá palavras, te ensina palavras, fabrica palavras, confecciona palavras. E quando você sai da escola, você se encontra num mundo em que palavras são tudo e tão pouco. ninguém consegue enxergá-las e são poucos que enxergam, que querem saber mais sobre elas, que brincam com elas, lutam com elas, choram com elas, fazem-na sua vida e por isso, ficam pra eternidade.

Esses que gostam das palavras, sabem cuidar bem delas e por isso, elas te trazem o prazer, tornando-se harmoniosa com seu apreciador e com isso, torna-se proveitoso o casamento entre os dois - o escritor e a palavra, o poeta e a palavra, o político e a palavra, o educador e a palavra, você e a palavra -, não importa quem seja, o que importa é a palavra, o que importa é a sua interação com ela, é o seu respeito com ela.

Essa é um mero espectro da realidade, pois nós não queremos enxergar as palavras. Utilizamos ela como se fossem meros objetos efêmeros da nossa vida. O cotidiano nos ajuda a matá-la, e a cada dia que passa, mas assassinatos ocorrem com esses pobres caracteres indefesos. A realidade nos faz esquecer que a palavra, que em todos os momentos nos ajuda, sem excessões - seja ela escrita, falada e/ou gestual -, é nossa amiga inseparável e por isso, nós a esquecemos, pois convivemos com ela diariamente. Só prestamos atenção nela, quando ela não está ao nosso lado. E vocês hão de convir, que está difícil!!!

Osvaldo Sá tratou bem essa "propriedade instrumental inanimada" (desculpe-me a expressão), mas que traz animações em todos os momentos, a contradição é sua parceira, é seu requinte, seu pecado. Vejo-a como escrava de uma sociedade sem escrúpulos. E quando ela acha alguém que te trate como igual, ela se torna algo especial.

Parabéns Osvaldo Sá, pelo seu Centenário e que Deus lhe proteja hoje e sempre na eternidade do Senhor.
Amém.

Osvaldo Sá nasceu em 28 de julho de 1908 e faleceu em 03 de junho de 2002.

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