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História do Navio Maragogipe - Um momento de saudades!


O Maragogipe, de fabricação alemã, navegou por 35 anos, entre 1962 e 1967, nas águas da Baía de Todos os Santos. Antes das rodovias, a embarcação era vital para quem precisava locomover-se entre Salvador e as comunidades do Recôncavo, partindo de Maragogipe para Salvador, pela manhã, e retornando à tarde.

Com capacidade para 600 passageiros, o navio chegava a comportar o dobro disso na festa de São Bartolomeu, uma das mais tradicionais do Recôncavo. Alimentos e outras mercadorias também eram transportados pelo Maragogipe, que cumpriu, assim, um papel importante para a economia regional. O navio possui 46,15 m de comprimento, dos quais 42,50 m de linha de água, calado de 2,35 m e deslocamento leve de 364,7 toneladas.

O navio havia sido doado à Prefeitura de Maragogipe em setembro de 2001. A prefeitura anunciou a intenção de implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. O Termo de Reversão de Bens Móveis foi assinado, em dezembro passado, com o novo prefeito do município, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, anulando a doação.

A situação do navio, que estava com problemas de má conservação, foi comunicada à Superintendência de Serviços Administrativos - SSA, da Secretaria da Administração (Saeb), através da Capitania dos Portos, sendo tomadas todas as providências necessárias para a retomada pelo Governo do Estado.

O ofício da Saeb ao novo prefeito, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, solicitando providências e posicionamento quanto ao Maragogipe, foi expedido após decisão tomada a partir de uma reunião envolvendo a Saeb, o CRA e a Capitania dos Portos.


O navio Maragogipe foi arrematado por R$ 204 mil, em leilão promovido pela Secretaria da Administração do Estado, na Marina e Estaleiro Aratu. O ágio foi de 204,5% sobre o preço mínimo de R$ 67 mil. Outra boa notícia é que o navio não sairá da Bahia, e será reformado para atividades turísticas. O arrematante, Jeová Ferreira, que disse representar um grupo de empresários baianos, explicou que o navio "poderá ser utilizado para transporte, para atividades de lazer ou como restaurante".

Ferreira disse que o navio precisará de uma ampla reforma, mas que a sua recuperação é viável. Outro atrativo para a aquisição do Maragogipe, segundo ele, é o valor simbólico do navio, que navegou por décadas na Baía de Todos os Santos, transportando passageiros e mercadorias entre Salvador e a cidade de Maragogipe.

O leiloeiro Miguel Paulo da Silva disse que o resultado superou as suas expectativas. "Foi uma ótima venda", afirmou. Ele ressaltou, ainda, que nos momentos finais o leilão foi bastante disputado, lance a lance, entre um grupo empresarial de Santa Catarina e o grupo baiano que acabou conseguindo o arremate.

"Ao lado do bom resultado do leilão, com ágio significativo, foi importante também o fato de o navio ter ficado na Bahia", afirmou o superintendente de Serviços Administrativos da Secretaria da Administração, Phedro Pimentel. Ele destacou que a Secretaria recebeu o apoio da Agerba, na avaliação do preço mínimo para o leilão, do CRA, no acompanhamento para evitar problemas ambientais, e da Petrobrás, na limpeza dos tanques.

Esses serviços foram necessários depois que o navio foi retomado pelo governo, em dezembro, junto à prefeitura de Maragogipe, que pretendia implantar um museu náutico, mas não levou o projeto adiante. A doação ao município havia sido feita em setembro de 2001. O Termo de Reversão de Bens Móveis foi assinado, em 5 de dezembro, com o novo prefeito do município, Carlos Hermano Albuquerque Baumert, anulando a doação.

Fontes:

UMA OPINIÃO - O VELHO MARAGOGIPE


Sempre que venho ao recanto publico aqui pequenos textos, situações que já vivi, ou simplesmente meus sentimentos que quando não agüentam mais explodem aqui dentro e transformam-se em letras.

Hoje não será diferente, estava tomando o meu café e lembrei da melhor travessia que já fiz pela Baía de Todos os Santos, tinha uns 10 anos e para o meu encanto e contentamento posso falar que viajei no velho Maragogipe, um navio simples que rasgava as águas abençoadas desse nosso recôncavo baiano, acordávamos antes das cinco horas da manhã com o apitar da velha embarcação, que chamava os seus tripulantes pela madrugada a dentro, na verdade era mais que um chamamento, parecia um pai carinhoso acordando o filho para não perder o horário..., mas voltando à minha aventura pueril...tudo parecia ter um tamanho maior, minha mãe, minhas primas e meu avô, todos nós éramos grandes, não pela altura, porém enormes por sermos merecedores do velho Maragogipe cansado de guerra.Cheguei ao Porto do Caíja e assim como minha família tantas outras estavam por lá despedindo-se de familiares que iam para Bahia( era assim que as pessoas do interior se referiam à cidade do Salvador) , meninada correndo naquela imensidão de reta que é a ponte do cais. Cheiro de manguezal, de farinha de mandioca, de fruta que seria vendida na capital baiana, para mim tudo aquilo era novo, mesmo sendo criada nessa terra abençoada do Recôncavo e tendo contato direto com tudo isso, para mim era uma novidade absoluta. Lembro-me de minha mãe segurando minha mão para que eu não “escapulisse” com as outras crianças; de quase nada adiantou, assim que as âncoras subiram soltei-me das mãos macias de minha mãe e fui para a parte mais alta da embarcação, o sol estava acordando e eu diferente das outras pessoas queria ser a primeira a contempla-lo, fixei meus pés de uma forma como se a cada movimento meu aquele navio fosse obedecer-me, doce ilusão a minha, cabelos ao vento, brisa do mar, sol nascendo, belas paisagem, peixes saltando ao lado do navio saudando-o por mais um dia vida, pequenas embarcações distante do grande Maragogipe, e assim aconteceu a minha travessia, mais de quatro horas navegando, e quando finalmente avistamos Salvador vi o meu tamanho pequenino diante de toda a exuberância que tinha aquela paisagem, o maragogipe antigo tão simples diante da imponência de outras embarcações, porém com um encanto todo seu, mais que fabuloso e fascinante, infelizmente chegamos ao porto e desembarcamos, pisei em terra firme novamente voltando a dura realidade e deixei-o para trás, nunca mais nos encontramos, o Velho amigo foi abandonado anos depois , esquecido, virou sucata. Que bom que tive a oportunidade de senti-lo, que bom que pude ser acordada por ele... De ter visto o que os outros olhos não conseguiram ver...
macabea




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